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LINHAS DE CAMPO
Catarina Rodrigues
Residência Artística 29.6.20 - 05.07.20
Performance dia 9 e 30 de julho






LINHAS DE CAMPO, I.

Catarina Rodrigues é a primeira artista residente no Egeu no âmbito de “Linhas de Campo”, integrando-se no espaço e expandindo-o na forma de uma performance, desenvolvida entre 29 de Junho e 5 de Julho. Num tempo de máscaras e distâncias assumidas, também os limites ficam mais sólidos, salientando várias questões. Sobre o corpo, sobre a cidade, sobre o que há de cidade no corpo e sobre o que há de corpo na cidade.

Pele, terra, plástico - por cima de betão por cima de terra; o olho vestido.

Dizíamos que o corpo e o cimento chocam.

A propósito dos vazios urbanos, dos planos de urbanização e de limpeza, dos terrenos expectantes: como é que o corpo se amplifica e ocupa o exterior? O que define o exterior sem ser o desejo de nos refletirmos nele? O exterior é um espelho e antecipação de um espaço interior afetivo? O que é invadir com terra a cidade? A idealização, instrumentalização e domesticação dos recursos constitui uma ameaça ou descobre uma fraqueza?

É o medo ou fascínio que subjaz a estas perguntas? Podem apresentar-se duas hipóteses disjuntivas. De um lado, o princípio da divisão, a genealogia dos prédios até à ruína, a revitalização, valorização, reconstrução, reprodução. Do outro, a terra impávida, onírica, total, uma terra sem uma gota de céu . E assim o diagnóstico de uma possibilidade em gume: 1 ou a terra estender-se aos limites do betão ou o betão estender-se aos limites da terra.

A história do território (terá fim?) é também a história do medo, a história do nojo, da protecção. Sempre houve nos muros a demarcação de um espaço útil: uma linha alta a recortar o espaço, desviando o curso das ameaças, protegendo o tempo das surpresas, prosperando. Assim a muralha fechou primeiro a terra, depois os rios e no fim a nossa roupa, fazendo-se traço de uma fronteira invisível entre a pele e a nódoa.

De toda essa limpeza se construiu lentamente um edifício, um plano, uma vitória. E agora uma ruína. Catarina sublinha-lhe a dobra, mói-lhe o canto, desfaz-lhe o círculo, evaporalhe o parapeito nos pés. E procura sair por baixo, decalcar o chão abrindo-lhe o que tapa, desfazê-lo. Sempre um trabalho difícil, levantando e correndo as mãos de um mapa. Sempre impossível.

Justamente nessa impossibilidade uma pergunta: não são as cidades natureza mortas?

A. Lenz  


(1) Carlos de Oliveira, Turismo
















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