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MOUTH TO MOUTH IMPERFECT MYTHOLOGY                         
Andy James & Cláudia Sofia
28.10.21 - 30.10.21 











De 28 a 30 de Outubro, o EGEU apresenta a exposição Mouth to Mouth Imperfect Mythology de Andy James, artista inglês baseado no Porto e Cláudia Sofia, artista portuguesa baseada em Lisboa.

Integrada num ciclo programático dedicado a explorar o conceito de intimidade nos seus diversos âmbitos - conceptuais e estéticos - e através de diferentes abordagens artísticas, a exposição apresenta um encontro entre peças escultóricas, desenhos, pinturas e actos performativos, que reflectem sobre questões de género e identidade, assim como sobre as noções de mitologia, máscara e ritual, encenando-as a partir de um ponto de vista pessoal.

Se as estruturas sociais e os seus traços ritualísticos são um dos focos principais da abordagem de Andy, que procura sempre envolver o público num misto de hedonismo, protesto e cliché, Cláudia, artista multidisciplinar, mas com uma afinidade especial pelo desenho e a ilustração, move-se principalmente num meio de subversão e ambiguidade, povoado por figuras algures entre o mal e a celebração.

Com vista a explorar o imaginário denso que sustenta a paisagem que Andy e Cláudia criam, Mouth to Mouth Imperfect Mythology apresenta um total de nove peças. Entre representações pictóricas de rituais e variados corpos antropomórficos, por vezes mascarados, no trabalho de Cláudia Sofia, é possível encontrar no trabalho de Andy James os adornos desses corpos: máscaras e mantas, capotes ou capas. Enquanto o trabalho de Cláudia aponta para uma representação do humano, subversiva e onírica, Andy remete para a força do acessório corporal enquanto objecto de culto, criador de novas dinâmicas. As duas máscaras de Andy, dispostas como se de totens se tratassem aguardam a sua activação; serão equipadas numa performance levada a cabo por Andy, na qual mudam de símbolos ritualísticos para objectos semi-funcionais. Ou seja, passam a ser aquilo que representam. As outras duas peças de Andy, Invisibility cloak e Comfort zone, usualmente utilizadas em performances, vestidas no corpo, são aqui apresentadas de forma estática, como carcaças. São, simultaneamente, os símbolos da vida passada destes objectos e a apresentação de novas possibilidades.

Enquanto o uso de máscaras no trabalho de Andy remete para a celebração de uma certa pluralidade de género, discursiva e identitária – reforçada pela diversidade material das suas peças: ráfia, lã, ouropel, cabelo sintético ou conchas –, o trabalho de Cláudia aponta para um uso da máscara em que se reforça o anonimato ou o escondimento. Em Andy existe uma fuga para o exterior; em Cláudia para o interior. Esta interioridade no seu trabalho está no uso de caricaturas, o uso do grotesco como forma de criar distância e protecção.

Em ambos o uso do corpo humano, ou uma referência ao mesmo, é feito com o intuito de criar um espaço ritualístico incompleto – os objectos não têm um carácter universal –, no qual podemos caminhar entre objectos ou cenas de rituais unipessoais. Podemos encontrar estas preocupações sobre um mesmo conjunto de temas como dois pólos próximos num campo comum que pode ser visto como um protesto festivo ou como um templo sem definição.