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um  beijo dado pelo sol

Carolina Lino
27.11.20 - 29.11.20 










Na sala-atelier-cozinha, os livros-objecto de Carolina Lino propõem uma transformação do espaço geográfico. No EGEU, as entradas de luz enquadram a cidade na floresta do Norte. O papel, a dobra e o canto – as linhas que guardam o objecto - são janelas que sugerem a paisagem curva. Por sua vez, este exterior, ao passar das folhas, canta um tempo de recolha e de invernar. O livro, assim, é um volume, retrato da casa em movimento, que reflete três estados: azul, branco e pêssego.

azul: o que advém de um gesto é a curva

A curva, mulher, corpo de ciclos e de abismos, passeia muito calma e procura um cheiro. De forma a defini-lo usa a boca. O sugar do ar, muito perto de um outro rosto, permite limitar a extensão do trilho. O som, resultado de um músculo em tensão, ecoa do abdômen à boca e reflete invisíveis ondas na estabilidade da forma.
Atrás, há um lago ao longe, que ainda conserva os mergulhos de verão.

branco: O que advém da curva é a origem do quarto

Avante, a córnea (o lago) começa a vestir o branco. E branca gera o quarto curvo. E tudo o que é quarto é curvo. Assim este ovo, como Brancusi o fez, é fotografado em reflexos e sombras que fazem do ovo a mesa e da mesa o quarto. Mas aqui a sombra define a única entrada de luz de inverno, ao norte.
Num deleitamento, a superfície que absorve o sol guarda-o em caixas 19 horas por dia.

pêssego: O que advém da origem é cor de pêssego

O paralelepípedo guarda um retângulo, na floresta a negro, na parede da cidade. A voz indica o comprimento da paisagem. A paisagem lança à boca gotas de pêssego, ainda ácido, e o crescer da casa-toca.
O livro é o processo imóvel de visitar o Norte e de tomar o peso da árvore no corpo.

A. Lenz